James Joyce é um escritor irlandês cuja obra mais aclamada é Ulisses. Um romance cujo fluxo de consciência transborda as páginas e transforma o leitor em habitante involuntário da mente alheia.
As técnicas de escrita adotadas por Joyce fazem de Ulisses uma das obras mais importantes da modernidade. A complexidade do fluxo de consciência coloca o leitor perdido entre pensamentos, devaneios e descrições — como habitar, sem convite, a mente de outra pessoa. Essa técnica não foi exclusividade de Joyce, já que outros escritores a exploraram anteriormente — Virginia Woolf e Dorothy Richardson entre eles — mas a maestria com que Joyce a conduz é o que torna Ulisses tão singular e tão relevante.
Em um cenário histórico colonialista, com uma sociedade que o próprio Joyce descrevia como paralisada, um contexto econômico desfavorável e a presença sufocante da Igreja Católica, o escritor descreve Dublin com uma precisão quase cirúrgica. Toda a ação do romance se passa em um único dia: 16 de junho de 1904 — data que os admiradores de Joyce celebram até hoje como Bloomsday, em homenagem ao protagonista Leopold Bloom.